
Jesus é o Bom Pastor
Quando se analisa a imagem de Jesus como Bom Pastor (Jo 10, 1-18) fica
notório a proximidade existente da outra imagem de Jesus como Servo de Deus. Por isso, é importante compreender as ideias de ambas, principalmente em Israel. Primeiro, é relevante analisar o significado da relação de escravo e o seu .senhor. Aqui se opta por conceitos sinonímicos entre escravo e servo. No tempo primevo da Aliança em Israel não deveria haver escravos dentre os próprios israelitas (Lv 25, 35ss), pois eles deveriam se lembrar de quando estiveram escravos no Egito e foram resgatados pela ação libertadora de Iahweh (Dt 15, 12ss). Entretanto, em tempos posteriores, em Israel se permite escravos, pois se havia uma lei acerca deles, conclui-se assertivamente pela existência de escravos (Ex 21, 1-11). Esse surgimento de escravos em Israel tudo indica tê-lo havido no tempo da monarquia. Dentro das próprias famílias e dos palácios havia escravos. Era uma pessoa sem posse das principais características da pessoa humana como a liberdade e a vontade. Quando se chegava ao sétimo ano tinha direito à liberdade, porém, o seu senhor não podia alforriá-lo sem bens materiais (Dt 15, 13-14). Em se tratando da relação entre escravo e senhor a lei estabelecia normas claras para que não houvesse injustiças e se o escravo, mesmo tendo direito à liberdade, quisesse continuar como escravo porque amava o seu senhor, este deveria recebêlo (Ex 21, 5s). Deste modo, a relação entre o escravo e o seu senhor é, de certa forma, amizade. No decorrer do tempo ganha sentido de espiritualidade, havendo assim uma transferência de significados entre escravos e senhores terrenos para escravos e o Senhor Iahweh Deus. Este atributo a Iahweh de Senhor – adonai – provavelmente foi concebido a partir dessa realidade terrestre e temporal dos israelitas. Quem serve a Iahweh deve servi-lo como os servos servem ao seu senhor por que o ama. Um serviço livre, porque quem ama, vive a liberdade como dom, livre e gratuito, podendo assim amar livremente. Amar é ação salvadora e eterna, porque quem ama participa da vida do Deus amor eterno (Jr 31, 3).
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